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Educação

O excesso de peso carregado pelas crianças ao portarem o material escolar pode causar danos que, a longo prazo, comprometem a postura e geram uma série de problemas de saúde. O alerta é do professor especialista em ginástica e postura da Secretaria Municipal de Esportes Milton Salles, que atua junto aos alunos do Pria (Programa de Recreação, Iniciação e Aperfeiçoamento). "Estudos mostram que o ideal é que a criança leve uma carga de apenas até 10% de seu peso corporal. Caso contrário, a curto prazo, o aluno pode ter problemas como fadiga muscular, dor, tensão muscular, dores de cabeça. Já a longo prazo, podem ser registradas disfunções posturais, distorções na curvatura da coluna cervical, maior concentração de peso corporal na coluna lombar e aumento do estresse no complexo lombo-pélvico, problemas nas articulações dos joelhos, entre outros", destaca Salles. A prevenção dos problemas posturais é um dos temas transversais que serão trabalhados a partir deste ano junto às turmas do Pria, em conteúdo complementar à prática das modalidades esportivas que, segundo o professor, podem ajudar a prevenir e reverter problemas de saúde. "Quando os alunos praticam esporte regularmente, ocorrem alterações benéficas de diversos sistemas corporais, sejam fisiológicos, bioquímicos ou estruturais. Há aumento da força muscular, aumento da flexibilidade, diminuição da fadiga muscular, maior oxigenação dos tecidos, diminuição do percentual de massa gorda, maior resistência imunológica, enfim, um ganho para a qualidade de vida da criança no geral, o que contribui para prevenir os danos", ressalta Salles. Em relação especificamente ao transporte do material escolar, Salles alerta que alguns cuidados podem ser tomados. Em bolsas de alça lateral, por exemplo, a alça deve ser ajustada para que a bolsa não ultrapasse a linha da cintura, usando ainda a alça de forma cruzada ao longo do tronco ou alternando o ombro sempre que perceber incômodo. "As mochilas devem também ter as alças ajustadas e ter uma alça horizontal à frente do tórax, na linha média dos peitorais. Pesquisas inclusive apontam que as mochilas de rodinha são melhores que as tradicionais neste ponto, por evitar a sobrecarga de peso e mudança na postura. E sempre seguir o limite de até 10% do peso da criança", diz Salles. Os pais, segundo o professor também podem colaborar para identificar e reverter problemas de forma precoce. Veja as dicas abaixo: - Fiscalize diariamente o material escolar do seu filho, a fim de verificar se ele não está levando cadernos e livros que não serão usados; - Preste atenção se a criança reclama de dores de cabeça ou dores musculares com frequência durante ou após o turno escolar; - Fique alerta se o seu filho mantém a postura adequada ao realizar atividades como efetuar as tarefas escolares, assistir TV, utilizar o computador ou sentar em locais como sofá, bancos, cadeiras, para corrigi-lo, se necessário; - Faça visitas periódicas à escola do seu filho e solicite ajuda aos professores em sala de aula para evitar incorreções posturais durante as aulas; - Estimule a criança a praticar regularmente esportes, em modalidades variadas, de acordo com as atividades que ele mais aprecia. Não é algo necessariamente complicado ou caro de providenciar. A Secretaria Municipal de Esportes, por exemplo, oferece aulas gratuitas em 23 modalidades esportivas em 21 núcleos esportivos espalhados pela cidade para crianças de 06 a 17 anos, com horários pela manhã e pela tarde, no contraturno escolar. Para se informar sobre disponibilidade de vagas, basta comparecer ao núcleo mais próximo de sua residência. Embora as atividades esportivas sejam fundamentais para a prevenção primária dos problemas posturais, Salles alerta que, nos casos em que a criança já apresenta um distúrbio, é preciso agregar outros recursos para o tratamento adequado. "Várias modalidades terapêuticas têm demonstrado eficiência na reversão de problemas que perturbam a postura dos alunos na fase de crescimento, como técnicas de alongamento, RPG, pilates, manipulação articular como quiropraxia e ostepatia, que podem ser desenvolvidos por profissionais de educação física, terapeutas manuais e fisioterapeutas. Já nos casos em que há uma patologia de origem congênita - anomalia de formação, genética - ou já estruturada, geralmente a correção exige procedimentos cirúrgicos. Por isso é tão importante prevenir desde cedo, fortalecendo o sistema corporal da criança e adotando hábitos saudáveis no dia-a-dia", finaliza o professor.

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